Este é um playbook prático. Os 4 slides que devem aparecer em qualquer apresentação executiva de IA pra board ou conselho — com mockup textual, lista do que precisa ter, e como falar cada um na sala. Sem teoria de governança; pura execução. Pra quem chega na próxima reunião sem deck pronto.
Pressuposto: você já rodou um diagnóstico (interno ou via Fronteira) e tem dado bruto pra usar. Se ainda não tem, comece por aqui.
Baseline · onde estamos hoje
- Radar de 6 dimensões (Profundidade, Integração, Dados, Resultados, Pessoas, Governança).
- Linha pontilhada do benchmark de mercado pra contraste.
- Marcação visual das 2 dimensões em que estamos à frente e 2 em que estamos atrás.
- Fonte do dado (interno + benchmark externo).
- Data do levantamento — se for > 6 meses, refaz antes da reunião.
Não leia número por número. Resuma em uma frase: o que estamos à frente, o que estamos atrás. Conselheiro nenhum quer escutar 6 leituras. Quer entender posição estratégica.
Aposta · portfolio priorizado de 4 a 6 iniciativas
- 4 a 6 iniciativas — nunca mais. Mais que isso sinaliza ausência de priorização.
- Cada uma com: owner C-level, dimensão atacada, impacto estimado, prazo.
- Cores ou ícones diferenciando quick wins (3-6m) de transformadores (12-18m).
- Critério explícito de priorização: cruzamento impacto × prontidão.
Cada aposta tem owner C-level. Nomeia eles ao falar. Esse slide é onde o board avalia se você tem mandato. Sem owner por iniciativa, o conselho vai inferir que não existe accountability.
Risco · exposição em 3 dimensões
- Regulatório: sistemas classificados em alto risco PL 2338 + estado de compliance.
- Reputacional: incidentes nos últimos 12 meses, mecanismo de escalação.
- Competitivo: gap vs principais concorrentes + tempo estimado pra fechar.
- Plano de mitigação ativa pra exposições não-aceitáveis.
Esse é o slide onde o conselho mais aprofunda. Esteja pronto pra detalhar cada item. Se omitir competitivo, alguém vai perguntar — e a resposta tem que ser específica, não 'estamos olhando'.
Capital · investimento e retorno esperado
- TCO completo (não só licenças) ao longo de 12-24 meses.
- Captura de benefício em 3 camadas: hard saving, soft saving, revenue uplift.
- Cronograma realista: hard em 3-6m, soft em 6-12m, revenue em 12-18m.
- Cenário pessimista (50% do soft + 30% do revenue).
- Mecanismo de pivot — gates de decisão em 3, 6 e 12 meses.
Gates: 3m (hard começa), 6m (revisão portfolio), 12m (decisão de escala). Critério de mate: hard abaixo de R$ 1,5M em 6m.
Não esconde o cenário pessimista. Apresentar pessimista junto com base é o sinal de maturidade financeira que o board procura. Esconder gera desconfiança automática — todo conselheiro já viu deck inflado e sabe o cheiro.
7 coisas que NÃO podem entrar no deck
Em todas as apresentações pra board sobre IA, esses são os elementos que matam credibilidade na sala. Tira do deck antes da reunião.
- Lista de casos de uso sem priorização — sinaliza ausência de diagnóstico.
- Tokens consumidos ou número de POCs — métrica de input, não output.
- Comparação técnica entre fornecedores — trabalho de comitê executivo.
- ROI sem custos ocultos — perde credibilidade quando produção começa.
- Promessa de transformação sem cronograma de fundação — board sabe identificar.
- Linguagem de hype — "estamos pioneiros em IA" sem dado quantitativo é cosmético.
- Ausência de mecanismo de pivot — "e se não funcionar?" precisa ter resposta no próprio deck.
Ritmo de uso desse deck
4 reuniões/ano em empresa com IA já em produção. Mesma estrutura, dados atualizados. Em momentos de aprovação de portfolio ou crise, frequência sobe pra mensal. Entre reuniões, relatório executivo de 2 páginas na mesma estrutura — baseline, aposta, risco, capital. Continuidade evita dramatização.
Quem apresenta: sponsor executivo de IA. CEO, COO ou Chief AI Officer. CIO apresentando sozinho funciona em empresa onde IA é tratada como infraestrutura tecnológica. Em empresa onde IA é alavanca estratégica, apresentação só por CIO sinaliza ao board que não é prioridade de C-suite.
Onde sair o slide 1
O slide 1 não pode ser produzido sem dado de baseline. O diagnóstico Fronteira produz exatamente esse dado: maturidade nas 6 dimensões com benchmark de 1.200 empresas, em 4-6 semanas. Empresas brasileiras que já têm IA estratégica refazem o diagnóstico anualmente, e usam o output como base do slide 1 da primeira reunião de board do ano.