O primeiro dia com o Claude

Cinco configurações, e onde exatamente fica cada uma.

Atualizado em 27 de ago. de 20266 min de leitura

Quase todo mundo usa o Claude como se ele fosse um chat: abre, pergunta, fecha. Aí no dia seguinte reexplica quem é, o que faz e como quer a resposta.

Cinco configurações resolvem isso de vez. Levam menos de uma hora somadas, e cada uma continua rendendo em toda conversa que você tiver depois.

Você explica uma vez e colhe para sempre. É essa a diferença entre usar o Claude e ter o Claude configurado.

Antes: baixe o app de desktop

Vale baixar, e vale entender exatamente o que muda, porque tem informação errada circulando sobre isso.

O que só funciona no desktop: extensões locais, ou seja, acesso aos arquivos da sua máquina e a programas instalados nela. É também no desktop que ficam os modos Cowork e Claude Code.

O que funciona igual no navegador: os conectores de nuvem. Gmail, Google Agenda, Drive, Notion e Slack rodam nos dois, porque conversam com serviços externos e não com o seu computador.

Traduzindo: se você quer que o Claude leia uma planilha da sua pasta de Downloads, precisa do desktop. Se quer que ele leia sua agenda, o navegador dá conta.

1. Diga a ele quem você é

Onde fica: clique nas suas iniciais no canto inferior esquerdo, vá em Configurações e procure Instruções para o Claude (em inglês, Instructions for Claude).

O que você escreve ali vale para todas as conversas, sempre, sem precisar repetir.

Escreva quatro coisas:

  • Quem você é e o que faz
  • Com o que você está tentando avançar agora
  • Como você quer que ele responda
  • O que te irrita e ele nunca deve fazer

A quarta é a que quase ninguém preenche, e é a que mais muda o resultado. "Não me dê listas de opções, me dê uma recomendação" ou "não comece resposta com resumo do que eu pedi" economizam mais tempo que qualquer prompt bem escrito.

Uma dica prática: em vez de digitar, use o ditado por voz e simplesmente conte. Sai mais completo e mais natural do que você escreveria.

2. Ligue a memória, e faça faxina nela

Onde fica: Configurações → Capacidades (Capabilities), e clique em Ver e editar sua memória.

A diferença para o passo 1: as instruções são o que você declara. A memória é o que ele aprende sozinho ao longo das conversas.

Ali você vê tudo que ele guardou, organizado por assunto, e pode editar ou apagar item por item. Vale marcar um lembrete mensal para revisar, por dois motivos:

  • Coisa velha atrapalha. Um projeto que acabou, uma preferência que mudou, um cargo antigo. Ele continua tratando aquilo como verdade.
  • Coisa importante às vezes não entrou. Se algo que você repetiu três vezes não está lá, escreva na mão.

Assuntos sensíveis, como saúde, religião e posição política, ficam de fora por padrão. Se você quiser que ele lembre, precisa ligar isso explicitamente.

3. Um projeto para cada frente da sua vida

Onde fica: Projetos, no menu lateral esquerdo, e depois em criar projeto.

Um projeto é um espaço fechado, com histórico próprio, arquivos próprios e instruções próprias. Tudo que acontece dentro dele compartilha esse contexto.

Crie um por frente de verdade: o seu trabalho, um cliente específico, sua saúde, a escola do seu filho. Dentro de cada um, suba os documentos que importam e escreva as instruções daquele contexto.

O ganho aparece na terceira conversa. Você não recoloca o histórico, porque ele já está lá.

No plano grátis dá para ter até cinco projetos. Nos pagos o limite é bem maior, e a base de conhecimento de cada projeto tem capacidade multiplicada.

Isso resolve o seu dia. E o da sua equipe?

Levamos esse mesmo método para times inteiros, com padrão, contexto compartilhado e governança.

Ver as soluções

4. Uma skill para o que você repete

Onde fica: Configurações → Capacidades → Skills. No app de desktop também dá para chegar por Personalizar no painel lateral.

Skill é um passo a passo que você escreve uma vez e ele aplica sozinho toda vez que a situação aparecer. Deixa de ser você lembrando o método, e passa a ser o método rodando.

Comece pelo que você faz toda semana no mesmo formato: seu relatório de fechamento, o jeito que você escreve proposta comercial, a estrutura dos seus posts, o padrão de resposta a um tipo de email.

Como fazer sem programar: peça ao próprio Claude para escrever a skill. Você descreve o processo em detalhe, ele monta o arquivo SKILL.md, você compacta em .zip e sobe naquela mesma tela.

Um detalhe que trava muita gente: skills exigem que a execução de código esteja ligada nas capacidades. Se a opção de subir não aparecer, é isso que está faltando.

5. Conecte suas ferramentas

Onde fica: Configurações → Conectores para os serviços de nuvem. Para acesso a arquivos da sua máquina, Configurações → Extensões, e aí só no desktop.

Comece por Gmail, Google Agenda e Drive. É o que transforma pergunta genérica em resposta sobre a sua vida real: ele passa a ver seus compromissos, seus emails e seus documentos.

Deixe esse passo por último de propósito. Conectar ferramentas antes de fazer os passos 1 e 2 entrega dados a alguém que ainda não sabe quem você é, e a resposta vem genérica do mesmo jeito.

Por que nessa ordem

Os cinco passos são camadas, e cada uma se apoia na anterior:

  1. Quem você é A base. Tudo que vem depois é interpretado a partir daqui.
  2. O que ele aprendeu Ajusta e corrige essa base ao longo do tempo.
  3. Onde cada assunto vive Separa contextos que não deveriam se misturar.
  4. Como você faz as coisas Transforma o seu método em algo repetível.
  5. O que ele pode alcançar Só agora, com tudo acima no lugar, vale dar acesso aos seus dados.

Se você fizer só um hoje, faça o primeiro. E dentro dele, escreva o que te irrita.

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